{"id":13,"date":"2008-06-07T18:33:56","date_gmt":"2008-06-07T18:33:56","guid":{"rendered":"http:\/\/serdaterra.com\/?p=13"},"modified":"2009-06-02T13:36:58","modified_gmt":"2009-06-02T13:36:58","slug":"os-bichos-que-os-bichos-tem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/serdaterra.com\/?p=13","title":{"rendered":"Os bichos que os bichos t\u00eam"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify; text-indent: 70.9pt;\">A riqueza da natureza n\u00e3o se encontra na uniformidade e sim na diversidade, que se realiza dinamicamente pela conviv\u00eancia entre as individualidades. Na multiplicidade de formas, texturas, cores, aromas e sons, a natureza se expressa e reconhece a individualidade como o protagonista deste movimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 54pt;\">H\u00e1 quem acredite que o confronto, a guerra seja a melhor maneira de se resolver os problemas resultantes da rela\u00e7\u00e3o entre os diferentes, entre os heterog\u00eaneos.  O importante \u00e9 ser homog\u00eaneo, parece que o dito tem sido visto como regra, na era da Globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 54pt;\">O trato intestinal dos animais \u00e9 o cen\u00e1rio onde este dito \u00e9 a todo instante questionado por seus ocupantes ocasionais e por aqueles que nem t\u00e3o ocasionais assim, como os que comp\u00f5em a flora intestinal, estabelecem o importante equil\u00edbrio de for\u00e7as inerente \u00e0 vida, uma vez que sem eles a funcionalidade intestinal estaria comprometida. Sabemos que os intestinos formam um tubo que junto do est\u00f4mago, es\u00f4fago e a laringe, levam o alimento para ser digerido e transformado em nutrientes que ser\u00e3o absorvidos e o res\u00edduo eliminado.  \u00c9 neste ambiente que se d\u00e1 uma verdadeira explos\u00e3o bioqu\u00edmica pela a\u00e7\u00e3o das enzimas digestivas sobre o alimento ingerido; as prote\u00ednas, o amido e as gorduras recebem tratamento diferente tornando-se elementos menos complexos e menores para poder serem assim absorvidos.  Nele convivem helmintos, protozo\u00e1rios, bact\u00e9rias, v\u00edrus, fungos, que travam constante disputa em busca da vida, ao mesmo tempo em que contribuem para que a a\u00e7\u00e3o digestiva se realize. \u00c9 a essa constante disputa e negocia\u00e7\u00e3o para a coexist\u00eancia, que chamamos de equil\u00edbrio din\u00e2mico do trato gastro-intestinal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 54pt;\">Podemos definir o trato gastro-intestinal como um tubo em constante transforma\u00e7\u00e3o, um ambiente vigorosamente din\u00e2mico e rico pela caracter\u00edstica de seu conte\u00fado biodiversificado, na multiplicidade e complexidade de formas e nas rela\u00e7\u00f5es que estabelecem entre si e com o animal que o hospeda. \u00c9 bom lembrar que estamos falando de uma parte externa ao organismo, tudo o que acontece nos intestinos est\u00e1 fora do corpo, apesar de que em alguns momentos essa dist\u00e2ncia se apresenta t\u00eanue, dado o aumento da intimidade entre o meio interno (organismo) e o externo (luz intestinal) provocado pela natureza do dinamismo de suas trocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 54pt;\">Existe uma conduta amplamente aceita entre criadores e que muitos veterin\u00e1rios estabelecem como rotina para manter os animais livres de endoparasitos: a vermifuga\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica de duas ou tr\u00eas vezes ao ano, independente de um exame parasitol\u00f3gico. Tal atitude \u00e9 vista como preventiva. A nossa vontade de tudo dominar nos faz acreditar que possamos manter o controle sobre quem os nossos animais recebem como h\u00f3spedes.  A ado\u00e7\u00e3o do \u201cRevolution\u201d, como medicamento \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 do desejo do controle, como tamb\u00e9m da \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d que este controle poderia representar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 54pt;\">Uma vez estabelecido o equil\u00edbrio din\u00e2mico no ambiente intestinal, fruto da rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as estabelecida pela exist\u00eancia de diferentes formas de vida coexistindo num mesmo espa\u00e7o, em nome da preven\u00e7\u00e3o se faz uso de um verm\u00edfugo com espectro de a\u00e7\u00e3o amplo e administrado, de forma sistem\u00e1tica e peri\u00f3dica, com o poder de destrui\u00e7\u00e3o inespec\u00edfico. Morrem alguns e outros sobrevivem, o estado de equil\u00edbrio conseguido ao longo deste per\u00edodo se desfaz, promovendo uma nova mudan\u00e7a ou transforma\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na dita fauna intestinal. Um momento peculiarmente delicado se estabelece onde a aten\u00e7\u00e3o biodin\u00e2mica do organismo se localiza neste n\u00edvel.<\/p>\n<p>Fica a pergunta: qual o objetivo de uma vermifuga\u00e7\u00e3o programada?  Ora uma modifica\u00e7\u00e3o neste n\u00edvel gera um esfor\u00e7o biodin\u00e2mico e uma altera\u00e7\u00e3o na biodiversidade, que somado a outras tantas interven\u00e7\u00f5es provocadas pela nossa proximidade com os animais, pode por em cheque o equil\u00edbrio do todo. Observe-se que n\u00e3o estamos tratando aqui de uma infesta\u00e7\u00e3o e sim da presen\u00e7a de um parasito a n\u00edvel intestinal. O uso regular e peri\u00f3dico de uma determinada subst\u00e2ncia (verm\u00edfugo) com amplo poder destrutivo que visa \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de hospedeiros sem que exista a certeza do preju\u00edzo desta presen\u00e7a. Visitante individualizado, se tem como optar pela melhor conduta em cada caso particular, pois sabendo quem, se sabe qual o ciclo que o nosso h\u00f3spede realiza, mensura-se assim a dimens\u00e3o da agress\u00e3o ou do simples conflito e seu comprometimento para com o todo. Devemos nos permitir este questionamento: o que \u00e9 melhor para o animal neste momento? Matar seu h\u00f3spede? Ser\u00e1 que sua presen\u00e7a caracteriza o estado de enfermidade?  A doen\u00e7a \u00e9 a vulnerabilidade, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o para a transforma\u00e7\u00e3o da simples presen\u00e7a de um endoparasito em uma infesta\u00e7\u00e3o, com todas as suas complica\u00e7\u00f5es e desdobramentos, pois ao avaliar que os h\u00e1bitos de nossos amigos est\u00e3o longe daquilo que entendemos como higi\u00eanico pode-se concluir: animal sem verme n\u00e3o existe. Ao fu\u00e7ar o ch\u00e3o, nossos amigos reconhecem seus pares, determinam os limites para express\u00e3o de sua individualidade. Neste momento temos que voltar a lembrar da natureza do ser em quest\u00e3o, seus h\u00e1bitos, muitos deles ancestrais, transmitidos por gera\u00e7\u00f5es e norteados pela potencialidade de sua individualidade vital em dire\u00e7\u00e3o aos fins de sua exist\u00eancia, ou seja, sua meta biol\u00f3gica. Para o cumprimento deste objetivo, a natureza prepara cada ser de forma individual dotando-os de um sistema de autoprote\u00e7\u00e3o, denominado por Hip\u00f3crates de \u201dvix naturae medicatrix\u201d, pois particular ser\u00e1 seu objetivo na vida, sendo assim, singular ser\u00e3o as formas de rela\u00e7\u00f5es que o mesmo ir\u00e1 estabelecer.<\/p>\n<p><strong>S\u00e9rgio De-Filippi<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A riqueza da natureza n\u00e3o se encontra na uniformidade e sim na diversidade, que se realiza dinamicamente pela conviv\u00eancia entre as individualidades. Na multiplicidade de formas, texturas, cores, aromas e sons, a natureza se expressa e reconhece a individualidade como &hellip; <a href=\"https:\/\/serdaterra.com\/?p=13\">Continue reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,4],"tags":[19],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13"}],"collection":[{"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/serdaterra.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}